Eu sei que o foco do blog é outro, mas como eu falei quando
tentei montar um escopo,
de vez em quando eu vou falar sobre outras coisas.
E semana passada eu vi que era a hora quando passei dias
pensando em sobre o que escrever e nada sobre São Paulo saia, porque eu não
conseguia pensar em uma coisa diferente do que uma tendência que anda me incomodando na propaganda.
Mas tem coisa mais paulistana que o mercado publicitário?
É aqui onde se concentram as maiores agências, os maiores
clientes, as maiores verbas e os profissionais que mais se matam. Não estou
falando que os outros lugares não tenham boas e grandes agências, clientes,
verbas e profissionais, só defendo que aqui é onde temos uma concentração bem
maior (ah vá!).
E eu, como pessoa inserida nesse meio, tenho um desabafo a
fazer:
A PROPAGANDA ESTÁ CADA VEZ MAIS CHATA!!!
Não só a propaganda, mas o mundo em geral. O século XXI
chegou com um puta conservadorismo. Tudo é bullying,
concorrência desleal, propaganda enganosa, ofensivo, errado, abusivo e o
caralho a quatro (sem riscar o palavrão dessa vez, pra ressaltar o nível de
revolta).
Eu já venho pensando nisso há algum tempo e, conversando com
outras pessoas, vejo que é um sentimento que muita gente compartilha, mas a
recente polêmica envolvendo a Nokia com o case
“Perdi meu amor na balada”
me fez gastar um tempo a mais refletindo sobre isso.
Não estou falando que a ação foi boa ou ruim (inclusive,
super concordei com os argumentos desse texto que fala sobre como não foi muito
esperto),
mas processo no CONAR porque teve menininha frustrada que se sentiu enganada
por ter visto acabar o sonho de encontrar o príncipe encantado na balada é de ferrar, né?
Ah, tadinha, a Nokia te enganou? Então aprende a ser mais
realista e não enche o saco dos outros, PORRA.
Não era muito legal ver a briga dos anos 80 entre Coca-cola
e Pepsi?
Lógico que não é a solução pra todo cliente, tem
posicionamento, perfil do target, do
mercado e mais muita coisa envolvida, mas era uma POSSIBILIDADE.
Essas restrições fazem com que a gente ande pra trás, mate
boas ideias e ainda dificultam que o maior objetivo da propaganda aconteça: que a
gente se encante por alguma coisa.
A propaganda tem que vender sim, tem que passar mensagem sim, mas
ela só faz a diferença se encantar. Seja pela emoção, seja pelo riso, pela
motivação, mas o encanto tem que existir.
E quanto mais restritivas as regras são, mais difícil fica
atingirmos esse objetivo.
Tem gente que encontra boas alternativas? Tem!
Um bom exemplo é a última campanha da Gillette que indiretamente
faz alusão a um de seus concorrentes, a Bic. Ficou legal, ficou divertida, deu
uma alfinetadinha e funciona!
(Vídeos aqui e aqui).
Poxa, a nossa sociedade está evoluindo em tantas coisas,
por que regredir nisso?
Hoje em dia tem que ter diversidade de etnias, preocupação
com o meio-ambiente, busca pela vida saudável, ninguém mais pode fumar, bebida
alcoólica só com aparência de mais de 25 anos, criança não compra,
marcas não brigam e pôneis não são malditos.
Ah gente, vamos levar a vida mais leve, dar risada das
piadas, implicar menos, errar mais, a perfeição é muito chata e a vida é muito
curta!
Não que eu seja a favor de propaganda pra cigarro e ache que todos temos que ligar o "foda-se" pra saúde e pro meio-ambiente, mas que tal acreditar um pouco na inteligência do ser humano de julgar o que é próprio ou não, sem restrigir tanto a propaganda em si?
Não que eu seja a favor de propaganda pra cigarro e ache que todos temos que ligar o "foda-se" pra saúde e pro meio-ambiente, mas que tal acreditar um pouco na inteligência do ser humano de julgar o que é próprio ou não, sem restrigir tanto a propaganda em si?
(Isso é a opinião totalmente parcial de UMA pessoa, então,
se você se sentiu ofendido com alguma coisa, não reclame de mim no CONAR, ta?)